segunda-feira, 20 de abril de 2015

NA BANCADA NORTE: A ENSURDECEDORA VOZ DO SILÊNCIO

Por Walter Falceta

Iniciada a disputa, ouviu-se o silêncio estrondoso do compositor e músico, risonho amante do samba. Depois, a quietude ruidosa do rapaz que adorava desenhar e pintar bandeiras do time do coração. Mais além, o brado assassinado do gráfico que se preparava para casar e, ao fundo, a melodia desaparecida do menino grande que embalava o sono da filhinha de oito meses.

São estas as vozes que não ganharão espaço nos noticiários de jornal, tampouco nos programas “espreme-sangue” que borram as tardes televisivas.

Quem percorre a cidade conhece o reduto da Pavilhão 9, naqueles meandros penumbrentos da Ponte dos Remédios, na Zona Oeste, lugar onde se cruzam milhares de histórias contadas, muitas de excluídos e esquecidos, fios do destino que tecem a bandeira resistente e futura.

Ali, caíram estes filhos, pais, irmãos, amigos, brasileiros, humanos, enfim, abatidos pela ignorância, pela intolerância e pela cultura de violência que esfacela o Brasil todos os dias.

A notoriedade do episódio associa-se à paixão corinthiana das vítimas, mas a São Paulo dos horrores registrou outras chacinas mais nos dias precedentes: uma em Campo Limpo, outra no Jaçanã e mais uma em Parelheiros. Os tombados seguem anônimos.

No caso da torcida organizada, a notícia logo subiu às manchetes. Mal apurada, mal acabada, porém, logo adulterou a identidade da agremiação. O reporteiro afobado desconsiderou o empenho antigo dos que buscavam a reintegração social da população carcerária. Segue-se o padrão. Tempos atrás, legendaram o também corinthiano Dom Paulo Evaristo Arns como “amigo dos bandidos”, uma censura a seu trabalho na Pastoral Carcerária.

Na grande mídia, o texto reproduz fielmente a conclusão da polícia paulista, para a qual a tragédia é resultado de um acerto de contas no mercado de narcóticos. Sentença expressa, depois de mínimas horas de investigação.

A imprensa trata de difundir a versão e, imediatamente, inicia o processo de divulgação de antecedentes pinçados, forma explícita de condenação sumária das vítimas.

Com ar grave, o jornalista anuncia que um dos mortos foi preso em Oruro, na Bolívia, depois da morte de um jovem torcedor do San José. Um outro esteve envolvido com drogas. De cada um, indica-se a nódoa possível.

Nestes noticiários, tranquiliza-se a população “de bem”. Segundo a informação divulgada pelos investigadores, alguns dos executados encaixavam-se no perfil dos transgressores da lei. É o mesmo argumento subliminar que livrou do ódio público os autores do Massacre do Carandiru, em 1992.

Repete-se, portanto, o paradigma da diligência policial no Brasil. A verdade se torna irrelevante diante da condição dos trucidados. O negro, o favelado, o pobre, a prostituta, o catador, o morador de rua, o gay, o torcedor, todos enquadram-se na categoria dos cidadãos menos iguais, culpados por simples suspeita, e com estes deve-se economizar o recurso da perícia.

No Brasil, a ciência forense é sempre reservada à apuração dos crimes que envolvem os cidadãos “Classe A”. Investe-se no caso da Rua Cuba, na encrenca dos Nardoni e na folia macabra da moça Richthofen, estrela do sistema penitenciário nacional.

Nestes dramas, a investigação pauta-se por zelo, sigilo e rigor. Noutros, o procedimento ordinário. O número escancara a inoperância do sistema. Entre 1980 e 2010, cerca de 1,9 milhão de brasileiros foram assassinados. O perfil da vítima é: negro, jovem, pobre, do sexo masculino. Somente 8% desses crimes são investigados com sucesso.

Na mira das autoridades, os mesmos cidadãos considerados de segunda classe. O índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em São Paulo é quase três vezes o registrado para a população branca. A taxa de prisões em flagrante de negros é duas vezes e meia a verificada para os brancos.

Assustados, desconfiando uns dos outros, habitamos o país do “auto de resistência à prisão”. É o roteiro da morte de um dentista negro, em 2004. Foi assassinado por policiais que o tomaram por ladrão. Plantaram ao lado do corpo uma pistola, a fim de imputar à vítima o crime e destruir-lhe a reputação.

Em outros tantos casos, a imperícia e a pressa dos homens da lei se casa com a incompetência e a negligência dos homens da notícia.

Assim, os poderes cruzados da lupa e do microfone arrasaram a vida de Icushiro Shimada e dos outros trabalhadores da Escola Base, injustamente acusados de abusar sexualmente dos estudantes que educavam.

E ainda fizeram picado da reputação da mulher equivocadamente acusada de matar a filha pela mistura de cocaína ao leite da mamadeira. Trata-se da mesma imprensa poderosa, formadora de opiniões, que cuspiu na imagem do administrador e político Luiz Gushiken, mas que foi incapaz de declarar com a mesma ênfase sua completa inocência.

A Pavilhão 9 nasceu de uma necessidade e de um gesto solidário: mitigar os horrores do cotidiano prisional no Brasil. Ao contrário do que propaga a “bancada da bala” e seus próceres fascistas, este não é o país da impunidade. Pelo menos, não é para os homens e mulheres das classes subalternas.

Constituiu-se aqui a terceira maior população carcerária do mundo. No censo do Conselho Nacional de Justiça, do ano passado, já eram 563.526 pessoas detidas. Somados aqueles em prisão domiciliar, temos 711.463 cidadãos privados de liberdade.

Se contarmos o número de mandados de prisão em aberto, de acordo com o Banco Nacional de Mandados de Prisão – 373.991 –, a nossa população prisional salta para 1,089 milhão de pessoas.

Na verdade, há somente 310 mil vagas no sistema prisional brasileiro. Os detidos vivem amontoados, em péssimas condições. Não há ambiente propício a correção e regeneração. Em 2013, foram cometidos 218 homicídios nas cadeias brasileiras. Não se passam dois dias sem um assassinato.

Entre 1994 e 2009, o número de presídios no país mais que triplicou, passando de 511 para 1.806, de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional, mas não foi o suficiente para abrigar todos os condenados, já que, nos últimos 23 anos, a população carcerária do país cresceu 511%.

Dos presos brasileiros, somente 12% foram condenados por crimes letais. Dois terços da população carcerária caíram atrás das grades acusados de traficar drogas ou cometer crimes contra o patrimônio. Nos centros penitenciários, esses jovens transgressores convertem-se em alunos preferenciais e compulsórios das organizações criminosas. Serão muitos outros se aprovada for a redução da maioridade penal.

O Derby do Paulistão já terminou. O Time do Povo foi derrotado nos pênaltis. O atleta Elias saiu de campo aos prantos. Agora, esvazia-se rapidamente o estádio erguido em Itaquera. Anoitece de uma vez, precipita-se a garoa fina que define São Paulo.

Nos degraus da Norte, as faixas foram recolhidas. De repente, não há nada nem ninguém. Entretanto, ali no flanco direito, n’algum trecho da ladeira de concreto, os silenciados ainda reclamam desesperados, exigem justiças possíveis, lamentam o destino ceifado, choram a sentença dos jornais.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

AJUDE A "FASE DE AJUSTES": SIMULE RENDA E PÚBLICO NO ESTÁDIO DO CORINTHIANS





Torcedor Corinthiano,
 
ajude a administração de nosso estádio e fixar os preços dos ingressos.
 
Eles estão com dificuldades para encontrar um equilíbrio entre preço e demanda de ingresso, deixando dezenas de milhares de cadeiras vazias em todas as partidas, o que além de deixar o espetáculo feio e o time com menos apoio para vencer seus compromissos dentro de campo, ocasiona prejuízo financeiro ao Corinthians.
 
Pensamos que seria comum para um clube como o Corinthians conseguir lotar seu próprio estádio, como fez durante mais de um século em todos os campos do Brasil e do mundo, sendo inclusive conhecido justamente por isso, mais do que por seus inúmeros canecos.
 
Mas há algum problema com o estádio de Itaquera que vamos ajudar a solucionar.
 
A Brigada Miguel Bataglia, na condição de grupo de batalha para um Corinthians ainda maior, popular e democrático, desenvolveu um simulador para você, na condição de DONO e frequentador do estádio, exercitar seu desejo Corinthiano: querer o estádio cheio e o Corinthians forte!
 
Temos de atentar para o equilíbrio econômico-financeiro, já que há capital de terceiro a ser remunerado e amortizado ao longo dos próximos anos e, claro, sermos Fiéis a nossa tradição de uma arquibancada democrática, acessível a todas as condições sócio-econômicas, e que a bilheteria não é, não será, e nunca foi fonte relevante de financiamento do clube.
 
Este simulador utiliza dados reais de % de ocupação dos estádio pelo mundo, última temporada, dos 96 maiores clubes, em termos de público nos estádios, do futebol mundial. O Corinthians, jogando no Pacaembu, atingiu 66% de ocupação média, ficando neste ranking na posição 64. O mais incrível é que desses 63 clubes com ocupação maior que a do Corinthians, 7 são da segunda divisão de seus países e 1 é da terceira... Sejamos mais ambiciosos, Corinthianos! Estádio novo...
 
Ao final da simulação, recomendamos que você salve sua proposta e envie para os departamento de comunicação, marketing e ouvidoria do clube:
 
 
#EstádioCheio
 
Por mais 104 anos de Corinthians ainda maior, popular e democrático!
 
Clique no link abaixo e faça o download do simulador (planilha em excel):

INGRESSOS: ajude a "fase de ajustes".

Você vai simular algo como esse exemplo:

 

gerando um faturamento bruto e dados de participação % por setor e tícket médio:

 
 
e saberá o quanto este faturamento vai ajudar o Corinthians, junto com as demais fontes de receita:
 
 
#VaiCorinthians!



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

QUEM EXPLICA? POLÍCIA, CONFLITO E AÇÃO ARMADA NO PACAEMBU.



Exmo. Senhor Geraldo Alckmin, Governador do Estado de S. Paulo
Exmo. Senhor Fernando Grella Vieira, Secretário da Segurança Pública de S. Paulo
Exmo. Senhor Desembargador Miguel Marques da Silva (Juizado do Torcedor)
Ilmo. Senhor Maurício Blazeck, Delegado-Geral de Polícia de S. Paulo
Ilmo. Senhor Mario Gobbi, presidente do Sport Club Corinthians Paulista
Ilmo. Senhor Paulo Nobre, presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras

Nós, cidadãos e contribuintes, armados somente da letra civilizada e da razão prudente, manifestamos nosso mais veemente repúdio aos tristes episódios ocorridos durante a partida entre o Sport Club Corinthians Paulista e a Sociedade Esportiva Palmeiras no último domingo, 17 de fevereiro, no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

Na ocasião, após o tento anotado pela agremiação mandante, registrou-se apavorante cena no setor de numeradas. Na sequência de altercação com torcedores, dois homens, supostamente policiais civis, tentaram fazer valer a autoridade, abordando um dos clientes-consumidores do espetáculo.

Em dado momento, um deles sacou uma arma de fogo, mais precisamente um revólver prateado, conduzindo ao desespero os presentes. Famílias com crianças e idosos, em particular, viram-se aterrorizados diante de tão descabida e enfurecida demonstração de força.

De acordo com reportagem produzida pelo programa televisivo Jornal da Record, os homens envolvidos no entrevero são policiais civis. Ali se encontravam, no entanto, na qualidade de guarda-costas do atleta Jorge Luis Valdivia Toro, funcionário da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ora, nos espanta que o Sport Club Corinthians Paulista tenha expedido credenciais para esses indivíduos e os tenha acomodado em área tão imprópria à manifestação da preferência clubística, posto que pareciam vivos entusiastas da equipe palestrina.

Também nos espanta que policiais pagos pela coletividade misturem suas funções públicas com aquelas exercidas no campo privado. 

Também nos estarrece a versão de que o torcedor beligerante tenha sido abordado por desacato à autoridade. Não nos parece verossímil que soubesse do cargo público dos dois desafetos. Também se afigura improvável que os tenha ofendido em razão da função ocupada, o que, neste caso, justificaria ação com base no artigo 331 do Código Penal Brasileiro.

O aclamado “Jogo da Paz” constituiu-se em louvável iniciativa dos clubes, rivais históricos na cancha esportiva. No entanto, a organização do rito conciliatório restou gravemente maculada pela intervenção desastrada desses dois servidores públicos.

A coletividade exige respostas:

- quem são os cidadãos protagonistas da lamentável cena?
- ali se inseriram como seguranças privados ou como funcionários públicos?
- a quem pertence a arma empunhada no local da ocorrência?
- que tipo de providência será tomada para evitar novos episódios dessa natureza?

Convicta de vossa atenção a nossa demanda, a família torcedora, contribuinte e cidadã aguarda vossos esclarecimentos.

Com protestos de alta estima e consideração, subscrevemo-nos,

RESISTÊNCIA CORINTHIANA
BRIGADA MIGUEL BATAGLIA

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Socializa-te, CORINTHIANS. Irmaniza-te,Torcedor.

Socializa-te, Corinthians. Irmaniza-te, Torcedor.

Torcedores Corinthianos recebidos pelo tapete vermelho, digo, alvinegro, do Centro de Treinamento Joaquim Grava. Torcedores Corinthianos, patrimônio da humanidade, força mobilizadora, espírito agregador de celebração, alma do desporto, liberdade civil, arma e orgulho dos que vivem a margem.

Invadimos o Rio de Janeiro duas vezes, o Japão, e assim fazemos com todos os Estados desse Brasil que é nosso. Jogamos em casa, sempre, sem nunca ter precisado conter em nosso balanço patrimonial a propriedade de direito dos estádios. Eles nos são de fato, por usufruto, quase que usucapião.

Na nossa casa entramos, bebemos água da biquinha, rezamos na capela, acompanhamos aos treinos no gramado sagrado do Parque São Jorge. Não invadimos nossa própria casa. Nela entramos. A não ser que a porta esteja trancada por dentro e que haja estranhos por lá, fazendo uso indevido de nosso patrimônio, apropriando-se dele e valendo-se de ações excludentes.

Administrações recentes do Corinthians vão na contramão da história do clube ao incorporar da forma mais cruel a segregação social do meio em que ele está inserido. Ao invés de transformar a sociedade, é a mesquinharia que vem transformando o “Time do Povo” sem saber resolver a equação de ser Time Rico sem ser Time Pra Rico.

Ingressos são fonte irrisória para as finanças do clube, mas por outro lado são nossa maior força dentro de campo e nosso maior “produto” fora dele. Os estádios encontra-se em números pífios de ocupação e a anuidade do plano Fiel Torcedor é um tapa na cara do trabalhador Corinthiano (R$ 180,00 o titular + R$ 90,00 por dependente). Estas são contra-contas de receita para o clube. A administração do clube deveria incentivar a ida do torcedor ao estádio e não colocar cada vez mais catracas entre ele e o time.

Os portões trancados do Centro de Treinamento imaginário – sim, imaginário porque quantas pessoas o conhecem? – revelam um Corinthians apropriado, privado e privando, excludente, secreto, obscuro e autoritário.

Obscura como a lista de convidados para o show da Ivete Sangalo no estádio novo, há alguns meses, no dia anterior de uma vexatória goleada. Não se sabe quem pagou, o quanto custou e qual o critério para seleção da lista. Uma certeza é que o critério não foi ser sócio do clube, nem ter uma quantidade enorme de jogos comprados no Fiel Torcedor. Essa festa, à lá Fungencio Batista em cassino Cubano nos anos cinquenta do século passado, foi a demonstração de que a Coisa Pública Corinthiana é utilizada para fins privados. Claro, com o clube pagando a conta. Socializa-se a dívida, privatiza-se o glamour.

Ter entrado no show da Ivete não garantirá entrada nos jogos do Corinthians na nova “arena”, pela política de preços e acesso aos serviços. E muito provavelmente uma coisa tem a ver com a outra. Ter entrado no show da Ivete, e bebido di grátis, também não dá direito a contato com servidores do clube, como atletas e demais contratados. Nem a presença digna em nossas dependências. Quando é assim, chama-se a polícia. Pão e circo. Mas se quiser ter contato com nossos servidores, pague por isso.

Em muito nós torcedores devemos em organização e conscientização. Ferramentas como o Conselho do Clube não funcionam, são tão viciadas quanto secretas, funcionam na surdina, autista, sem a capacidade, ou vontade proposital, de se comunicar com o mundo externo. Lamentavelmente. Na verdade acabam por legitimar o estado de coisas, por funcionarem da mesma maneira.

O grupo de Corinthianos que se sujeitaram a entrar pelas portas dos fundos em sua própria casa, lugar esse que deveria ser o destino de saída da malta usurpadora, tendo que burlar segurança privada, cortar grades e usar expediente de intimidação física, usando como primeira ação o que deveria ser o último recurso, é o retrato de uma torcida sem método, sem discurso, e sem projeto. O projeto é fruto da caracterização de uma realidade. A caracterização é fruto da polêmica, da discussão, da utilização mais do ouvido que dos punhos, do respeito as diferenças de opinião, pedra filosofal de nossa origem. Mas polêmica não vinga em estruturas baseadas no culto ao personalismo, hierarquicamente verticalizadas, de onde num presente recente conseguiram apenas extrair uma paleolítica homofobia e adjetivações perseguidoras de cunho moralista a determinados atletas. Método e discurso são frutos do trabalho cotidiano, organizado e de massas, que só pode ser sufocado pelas anomalias citadas acima: personalismo e verticalização. O personalismo e a hierarquia inibem o Procedimento, transformam a Lealdade em troca de favor, e a Humildade em submissão.

Quer saber se uma manifestação é democrática? Avalie a possibilidade de crianças, mulheres e deficientes físicos participarem dela. Quer saber se uma manifestação é legítima? Torne-a pública, discuta, debata, dê as caras, procure vias públicas e, é claro, a porta da frente. Se a verdade está conosco, estamos temendo o que? O método black bloc é deseducador e ineficiente. Mantem toda a estrutura em funcionamento, mas busca compensações em fazer arranhões em fechadas.

Pelo jogo de ontem sabemos que não teve êxito futebolístico a visita indesejada dos torcedores. Mas teve consequências: em uma tacada só uma enxurrada de desmentidos, falsos informes, informações desencontradas, o aprofundamento da cisão entre torcedores que, embora tenham o mesmo objetivo (O Corinthians Grande) discordam do método, a marginalização dos torcedores e vitimização do delegado, vejam vocês...

Tudo isso posto num momento imediatamente seguinte a uma inaceitável e suspeita bajulação ao treinador anterior, que, abandonado pelo Diretor de Futebol a época, Roberto de Andrade, que o jogou aos leões, teve um final de trajetória no clube dos mais medíocres e vexatórios, com direito a inúmeras derrotas, incluindo goleada, escassez de gols, apatia, postura covarde e, coroando a perdição futebolística, a luta para não ser rebaixado.

A Diretoria de Futebol, seus gerentes e coordenadores, que são os que contratam, descontratam, combinam salários, chefiam as equipes técnica e médica estão sempre fora do alvo dos protestos. Inclusive o ex-presidente Andrés Sanches, patrono dos atuais presidente e candidato a presidente no ano que vem. O time tem sido reflexo de sua direção.

Há muitas cercas a serem derrubadas. Pra viver o Corinthians secular, galo brigador, leal adversário, aquele que devolveu o futebol ao Povo, temos primeiro que rever a maneira como nós, Torcedores, estamos nos tratando. Há que se refundar o sentimento de irmandade Corinthiana, aquela que acolhe indistintamente classe social, raça, origem, credos e preferências, hoje tão segregada quanto a própria setorização dos estádios e prestação de serviços da vida social. Intolerância e individualismo, sintomas de uma sociedade doentia, não podem subverter o fenômeno social Corinthians. O contrário é que deve acontecer.

Uma arquibancada unida gritando Corinthians. O CT de portas abertas no dia 15 de fevereiro para sentir o calor da torcida as vésperas do clássico.

Esta transformação do clube acolhedor, o qual não precisamos “invadir pelas portas dos fundos”, tem que começar por nós.
 
#VamosCorinthians

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O serviço da Ditadura em época de democracia.

Imagine você, indo a um show de seu artista preferido. Você escolhe o seu lugar e, de repente, chegam 8 policiais, daqueles brutamontes, e diz para você sair daquele lugar, sem motivos, sem justificativas...

Transportemos esta situação a um estádio de futebol, no setor dos mais caros do estádio: a Numerada. Imagine que você, torcedor, tenha escolhido seu assento bem no meio do campo, a melhor posição para assistir a peleja, e estes 8 trabalhadores da segurança publica dizem para você sair da sua confortável (??) cadeira, de uma forma simplesmente truculenta. Indignante não?

Mais uma vez, transportemos esta situação, ainda dentro do estádio, mas agora no setor mais popular (e democrático) de um estádio: As arquibancadas. Imaginou? Pois torcedor, infelizmente, esta situação não é 
imaginação e aconteceu na arquibancada.

A arquibancada é dividida em dois setores: a arquibancada verde e a arquibancada amarela. Tudo isso é só na teoria, pois a arquibancada é um espaço bastante democrático (como já disse). O torcedor escolhe o lugar que quer ver o jogo, e este pode ser qualquer lugar, nas escadas, nos degraus e, inclusive, no alambrado. Se o torcedor quer ver o jogo no alambrado, qual o motivo de não poder? Vou ao Pacaembu desde 1997, e já se via torcedores por lá... Na verdade, acredito que na inauguração do Pacaembu já existia torcedor no alambrado. E não é privilégio dos Corinthianos. Quem não se lembra do capitão Alessandro indo tirar satisfação com os torcedores do Palmeiras, naquele ano de 2011...?

Viram? Coloquei o exemplo do show e da numerada por que a forma de agressão é a mesma. Foi ferido o direito do torcedor, que pagou ingresso, de ver o jogo no seu canto preferido (ou escolhido). Veja a 
imagem abaixo:



Digo isso pois fui uma das vitimas da agressão. E afirmo: São sempre os mesmos policiais. Brutamontes de 2 metros, sem o mínimo preparo para lidar com torcedor, que olham o torcedor como inimigo, e que, em um jogo sem uma ocorrência, nesta situação, agiram de modo provocativo e incitativo. A violência foi gratuita. GRATUITA. Nem mesmo os abutres de sempre estavam sendo hostilizados com xingamentos. 
Simplesmente nada de anormal aconteceu ali.

Os mesmos policiais, um ano atrás, já agiram de forma incitativa, como podemos ler AQUI!! Afirmo: São os mesmos policiais. E que há muito não os via no estádio. A provocação é clara e gratuita. A proposito: Ontem a bandeira que fica na escada do banheiro também foi tirada de lá. Não vi quem as tirou, mas não duvido que tenham sido os mesmos despreparados fardados.

O papel do policial, no estádio, assim como no estado, é proteger o cidadão. Porém, como é histórico, e no estádio mais ainda, utilizam-se de ABUSO DE AUTORIDADE sem fim nem proposito. Repito: VIOLÊNCIA GRATUITA.

Imaginemos a cena: Se a provocação da PM surtisse o efeito desejado, e uma confusão acontecesse ali. Uma briga generalizada poderia acontecer e, novamente, os torcedores seriam marginalizados. Apenas para que você reflita um pouco quando for dizer que torcedor é tudo bandido e vandalo...

Por isso, este espaço é a favor da desmilitarizar o espaço interno do estádio. Talvez esta seja uma luta que possa ser iniciada já para ITAQUERA.

Vai Corinthians!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Chapão não!


Os conselheiros do Corinthians se reúnem nesta segunda-feira para debater a continuidade do dito "Chapão", manobra eleitoral adotada nas últimas eleições e que nomeou, numa leva só, os 200 membros trienais do Conselho Deliberativo do clube. Na visão da Brigada Miguel Bataglia, um retrocesso anti-democrático.

À chapa vencedora, foi dado o voto de confiança para que priorizassem a extinção de tal aberração. Isso aconteceu há um ano e nada foi feito. Pior: informações correndo à boca pequena dão conta de que o "Chapão" será mantido.

A Brigada Miguel Bataglia convoca os associados e também os corinthianos que defendem uma maior participação política do torcedor no clube para um ato de repúdio a essa intenção vil dos conselheiros. A manifestação ocorre hoje (25/03) na entrada do Parque São Jorge, a partir das 18h. Quem quiser colaborar, preparamos um panfleto para entregar e pressionar os conselheiros pela mudança no Estatuto (clique aqui para baixar e imprimir).

A Fiel está de olho!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Artilharia Anti-Abutre


A imprensa vem se portando da maneira mais irresponsável possível quando trata de Corinthians. A tragédia ocorrida na Bolívia deu aos abutres a carniça necessária para que os velhos preconceitos contra o clube e seus torcedores viessem à tona, sempre de maneira exagerada e até violenta.

Nessa toada, destaquemos um texto publicado pelo UOL Esporte na última quarta-feira. A manchete: "Ex-goleiro do Corinthians pode ser condenado por assassinato no Chile". A primeira intenção é óbvia e tenta associar, como sempre, os termos Corinthians, condenado e assassinato nos mecanismos de busca. A segunda é pior ainda, já que tem como objetivo trazer à tona novamente o assunto da morte do jovem boliviano, incitando o leitor a fazer, no campo de comentários, interpretações que comprovem que a Fiel torcida é composta por assassinos.

Mas vamos analisar a tal "reportagem". Ela fala do goleiro Jhonny Herrera, que esteve no Corinthians durante o ano de 2006. Fez apenas 9 jogos com o Manto Sagrado Alvinegro e ficou marcado por muitas falhas, sendo afastado quase que de imediato da meta que já foi ocupada bravamente por Tufy, Gilmar, Cabeção e Ronaldo. Vejam, amigas e amigos, que a passagem de Herrera é quase desprezível, ainda mais se comparada a esses grandes jogadores. Diz ainda a "reportagem" que Herrera poderá ser condenado à prisão por conta de um atropelamento ocorrido em 2009 - portanto, 3 anos depois de sua saída - no Chile.

Qualquer relação do atleta e de seus atos após o ano de 2006 seria, no mínimo, irresponsável se fosse sério o jornalismo praticado aqui no Brasil (ao menos pelos veículos de grande circulação). No entanto, esse caso demonstra que a imprensa se preocupa mais com a espetacularização e menos com seu compromisso de informar corretamente a população.

Esta Brigada continuará desmascarando toda e qualquer tentativa do jornalismo em diminuir ou prejudicar o Sport Club Corinthians Paulista.

domingo, 10 de março de 2013

Uma 4º-feira qualquer...


Era uma 4a feira. Dia de jogo do Corinthians no Pacaembú. Mas, depois de tudo o que havia ocorrido naquela semana, na verdade o clima era para não parecer que era dia de jogo. Pois aquele jogo não poderia ter torcida. Portanto, era para ser uma 4a feira no Pacaembú de futebol silencioso, onde se ouviria os passos dos guardas da corporação, a batida da bola na luva do goleiro e até mesmo o grito de gol do narrador esportivo lá do outro lado do campo.

Mas não foi isso que se viu nos arredores do Paulo Machado de Carvalho naquela quarta-feira. No lugar do silêncio, um barulho ensurdecedor. Daqueles que se podia ouvir lá da metade da avenida Pacaembú. Os gritos ecoados não eram os novos gritos da torcida, como o grito do bando de loucos ou qualquer melodia de uma música do Tim famosa... mesmo por que neste caso não foi “ a semana inteira” que estes torcedores estavam esperando. Alguns estavam esperando por décadas para ter novamente esta maravilhosa sensação. As musicas cantadas ali eram as marchinhas, o hino do Corinthians bradando um “Luctar, Luctar” e até mesmo aquela música que homenageava com brilhantismo Baltazar, cabecinha de ouro, que chegou a chorar quando ouviu a sua música.

Na Praça Charles Miller podíamos ver grupos de senhores, senhoras, jovens.. enfim...

Chega a hora do jogo, e na entrada da escrete Corinthiana, aquela massa incrível vai a loucura. Há tempos não se via um Pacaembú tão cheio, depois da colocação das cadeiras que existem hoje por ali. Uma festa que na verdade não se via a anos. Bandeiras tremulando, camisas agitando. Até uma faixa escrita TORCIDA CORINTHIANA se via por ali.

Ninguém entendeu nada quando, após a bola rolar, ouviu-se um palavrão cabeludo. Era Tia Dirce xingando o bandeira que, de certo, aprontava mais uma. Mas se via um sorriso feliz instantes depois quando saiu o gol do Corinthians marcado pro Guerreiro. Tia Dirce já abraçava dona Elisa da Fiel, que se juntava a Joca e outros numa felicidade imensa e intensa.
Um pouco mais a direita podíamos ver Seu Miguel, com o orgulho que não cabia no peito, na mesma roda com Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira, Rafael Perrone, Anselmo Correa e Carlos Silva. Felizes, comentavam cada jogada com saudosismo dos tempos da várzea. Lá também estava a santíssima trindade, Claudio, Luizinho e Baltazar. Seu Idário, que também estava por ali, comentou com um torcedor com cara de vida, mas ao mesmo tempo exalando uma cara de felicidade, que ali daquela lateral ponta nenhum fazia graça, e que se não fosse pelo alambrado, muito jogador adversário bateria a cabeça nas lanchonetes do estádio. Luizinho ainda desmentia, com aquela cara marota, a história da “sentada” na bola.

Do outro lado do campo víamos Seu Manuel Nunes, tão concentrado no jogo, tão aflito a cada passe errado, que nem mesmo percebeu a pergunta inocente de um garoto que estava ao seu lado. – Seu Neco, este é o mesmo cinto que o Senhor tirou pro Juiz no campo? – Nada tirava a atenção dele do jogo.

No momento do segundo gol o Pacaembú caiu. Mais festa da torcida Corinthiana. Daquela especialíssima torcida Corinthiana.

Um dos mais empolgados por ali era Amâncio Mazzaropi, que era chamado de Maza por todos ali. Maza dizia que esperava de novo com este reencontro com seu clube de coração a anos e anos.

No fim do jogo dava para ver Sócrates tomando a sua sagrada cerveja e divagando com outros Corinthianos sobre tudo, política, futebol e até mesmo da homenagem que ele havia recebido no Parque São Jorge. Lembrava também, com Lidu, Eduardo, e até mesmo Seu Vicente, de como era gostoso tomar uma gelada no Bar da Torre. Baltazar se lembrava de como o rio fazia a curva por ali.

Com a quinta feira já dando as caras na cidade, todos saíram contentes por demais, pois, além da vitória Corinthiana em cima do Milionários por 2 a 0, puderam também matar a saudades do grito de gol do Corinthians novamente dentro do estádio.

E aquela noite, que tinha tudo para ser uma noite silenciosa, foi uma das mais lindas já vistas no Pacaembú. Porém esta noite não consta nos registros... as únicas testemunhas foram São Jorge, Deus e você Corinthiano de fé que acredita na força do pensamento e que nossos ancestrais nunca nos abandonam.

Esta é uma pequena homenagem da Brigada Miguel Bataglia a todos os Corinthianos (inseridos no texto ou não) que se foram, mas que deixaram para nós Corinthianos um legado de amor e lealdade.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Tia Geni, voa bem mais alto.






Tia Geni é o CORINTHIANISMO em seu estado mais puro.
Estamos de luto, mas não triste, afinal os bons espiritos são chamados para virarem estrelas e de lá de cima, ao lado da lua de Jorge, continuam nos apontando a direção certa e nos fazendo lembrar SEMPRE que são na simplicidade e principalmente na humildade que residem as verdadeiras raizes do corinthianismo.

Fique em paz Tia.

VOA BEM MAIS ALTO.

Esta Brigada, solicita a direção do CORINTHIANS, que nossa maior representante seja devidamente homenageada com 1 minuto de silêncio e que nossos jogadores entrem em luto, em respeito a sua memoria.

VAI CORINTHIANS!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sócrates Brasileiro e Corinthiano


Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, ou simplesmente Doutor. Hoje você, o Doutor da bola e da vida, estaria completando mais um ano de vida. Você nos deixou, Magrão, mas na verdade o que você nos deixou ficará para sempre.

Futebolista de grande categoria, tú não nascestes Corinthiano, sabemos. Mas com muitos é assim, pois não escolhemos o Corinthians; o Corinthians nos escolhe. E o Corinthians te escolheu, Sócrates, para vestir e honrar o nosso manto sagrado e ensinar a todos a Democracia e a lutar por seus direitos.

E entenda, Magrão, quando dizemos que o Corinthians te escolheu: em nenhum outro clube do país um movimento democrático poderia acontecer. Pois isso está na veia do Corinthians, faz parte de seu DNA e sua história. E assim foi...

Doutor Sócrates, você entendeu o Corinthians como poucos. Pouquíssimos, na verdade. Liderando a Democracia Corinthiana, você colocou o futebol (ou por que não dizer o esporte) no processo de democratização de um país.

Nesta data, Doutor, esta Brigada que muito se identifica com seus ideais de Corinthianismo e da essência do Corinthians e do que é ser Corinthians, gostaria de te fazer uma singela homenagem, e ela vai aqui neste post.

Doutor, meu velho, onde você estiver, saiba que suas palavras continuam sendo inspiração a todos, que suas atitudes continuam nos dando direção e rumo e, de coração, esperamos que, mesmo você não estando mais aqui, nosso trabalho possa honrar a você e a todos nossos ancestrais que estão aí contigo batendo aquela bola.

Tenha a certeza: enquanto existir Corinthianos, você e seus ideais jamais morrerão.

Um brinde! Daquele jeito que o Doutor gostava!

Brigada Miguel Bataglia

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Futebol Antigo x Futebol Moderno

Há anos, acompanho a campanha mundial (sim, mundial) contra o aquilo que se convenciou chamar de "futebol moderno", aquele gerido como ativo comercial segundo as regras do sistema capitalista de trocas.

No Brasil, na Argentina, na Inglaterra, na Espanha e na Itália, há grupos anarcomilitantes promovendo campeonatos que recuperam a espontaneidade do chamado "futebol antigo", aquele que não constituía um mercado e que não gerava receitas a partir de valores intangíveis.

Sem deturpar os conceitos em análise, podemos elencar outras duplas de oposições dicotômicas: "família moderna" x "família antiga", "festa moderna" x "festa antiga" e até mesmo "amor moderno" x "amor antigo".

Se pudermos nos deter no primeiro exemplo, teremos alguma noção dessa metamorfose nas relações sociais.

A família tradicional cristã, pelo menos aquela fundada em princípios cristãos, no período pós-revolução industrial, trocou, aos poucos, o esforço pela sobrevivência pelo empenho no carinho.

Explica-se: até meados do Século 19, a expectativa de vida em vários países europeus não excedia 40 anos. As taxas de mortalidade infantil era altíssimas, até mesmo na Inglaterra, país que deu partida ao motor da revolução das máquinas.

Um pai de sucesso, portanto, era aquele que lograva levar seus herdeiros até a vida adulta. Casais que perdiam tantos filhos pelo caminho trocavam o apego pelo empenho.

Muitos de nossos avós e bisavós viveram esse dilema. Como amar muito o que pode desaparecer a qualquer momento?

Minha avó corinthiana nascida na Galícia perdeu seu filho querido aos 6 anos de idade, vítima da difteria, numa mesma São Paulo que perdera milhares de habitantes na Gripe Espanhola, em 1918.

Cabe lembra também que, do ponto vista histórico, o casamento "amoroso" é muito recente. Durante milênios, esses enlaces, para ricos e para pobres, era regrado pela conveniência, muitas vezes laboral.

Desse ponto de vista, a família funcionava como uma equipe de trabalho, fiel é mal paga, fosse nos cafezais ou nas oficinas urbanas.

A família rural, insegura, dependente dos fenômenos naturais, cedeu à família produtora operária da era industrial, explorada direta ou indiretamente pelas grandes corporações nascentes.

A história da vida privada não é uma história de confortos, especialmente no Brasil, cujos fundamentos de uma economia "para todos" surge apenas na década de 1930, no bojo do Getulismo.

Pelo mundo, as famílias antigas sofreram com os serviços médicos precários ou inexistentes. Para se ter uma ideia, a penicilina somente foi descoberta em 1928 e passaram-se anos até que se tornasse acessível. Nas famílias, gente morria por conta de uma corriqueira infecção dentária.

Essa constatação tem como objetivo apagar essa ideia de que o antigo era sempre melhor. Aliás, esse mito é utilizado por certas mentes doentias da direita para dar ares de paraíso ao pântano temporal que nos representou a Ditadura Militar.

O que é velho, portanto, nem sempre é melhor. Frequentemente, é pior. Não sejamos tolos ou ingênuos. "Roubar" mulher a cavalo parece algo excitante hoje, mas, convenhamos, não era a maneira mais cômoda de começar uma vida a dois.

O futebol antigo, pelo menos o nosso, começou na Várzea do Carmos, que é aquela área à volta do Rio Tamanduateí, botando de um lado o Centro Velho e, do outro, o Brás, na banda Leste.

Ali, funcionaram os nossos primeiros mercados populares, nossas primeiras "lavanderias" e também nossos primeiros namoródromos, obviamente alvo das vetustas autoridades bandeirantes.

Era um lugar de farras, diversões e atividades físicas, mas também de muita encrenca, de facadas e sarrafadas. A turma d nosso antecessor, Botafogo, vivia às turras com a polícia.

O maior problema era justamente o verão. Nessa época de chuvas, os rios transbordavam e sobravam poucas áreas para se praticar o esporte bretão.

No caso do Corinthians, uma das grande sacadas foi justamente construir a praça de esportes no alto do Bom Retiro, no Lenheiro, o que propiciava uma atividade ininterrupta durante todo o ano.

Por incrível que pareça, o Corinthians gerou, no âmbito popular, uma revolução nas práticas de gestão do esporte. O clube dos operários tinha organização, estatuto e estabeleceu um sistema de contribuição financeira dos associados.

Curiosamente, esse modelo administrativo lembrava aquele de várias associações anarcolibertárias da região, como a Escola Germinal e os jornais militantes, ao estilo do La Battaglia.

Ao postular um lugar entre os grandes, na Liga, o Corinthians radicalizou ainda mais esse processo de organização. Deixou de ser antigo para ser, efetivamente, moderno. Nessa segunda década do século passado, dezenas de outras agremiações baixaram as portas por não serem capazes de constituir uma gestão adequada às exigências do novo tempo.

Por isso, para o bem da verdade, convém cuidado ao se utilizar essa oposição de termos, seja no campo do futebol ou de outras manifestações sociais. O próprio pensamento anarquista coletivista não é saudosista, tradicionalista ou anti-tecnológico. Basta que se veja o progresso de certas comunas espanholas no período que antecedeu a Guerra Civil.

No campo específico do futebol, creio que existe uma confusão monumental, que mistura conceitos e desconsidera a realidade histórica.

Se a ideia é repelir o futebol moderno, conviria que retornássemos à várzea, onde debutamos. Mais ainda, seria necessário retornar a um período anterior ao futebol profissional. A ordem seria acabar com passes, salários e registros em carteira. Mas será que faz sentido?

Parece, portanto, que a demanda é outra. Muitos inimigos do chamado "futebol moderno" admiram o tempo de Claudio, Idário e Goiano, que já eram profissionais e viviam do ofício esportivo.

Talvez, portanto, a oposição seja outra: "futebol do coração" x "futebol da moeda". Essa, sim, parece uma dicotomia capaz de justificar indignações.

A Democracia Corinthiana, de Sócrates e Wladimir, constituiu um regime de co-gestão (vocacionado à auto-gestão) dentro do "futebol moderno". A ordem era democratizar a gestão, gerar cooperações, estabelecer relações com a comunidade, constituir aprendizados e estabelecer práticas de cidadania.

Efetivamente, não é possível mover a máquina do tempo para trás. Não voltaremos ao período pré-indústria, pré-penicilina, pré-salário. Este tempo, por enquanto, acabou. Retornará somente se o planeta for vítima de um grande cataclismo.

E, de alguma forma, será inevitável que o futebol se torne, sim, mercadoria no sistema econômico de trocas em vigor.

As pessoas que vibraram com a conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes parecerão incoerentes se não enxergarem essa realidade. Esses torneios somente existem por conta do patrocínio de grandes corporações. E, não se engane, o mesmo se pode dizer do humilde Paulistão.

Parece inevitável uma história em que as marcas clubísticas tradicionais se misturarão com as marcas comerciais.

O que se faz necessário é aprofundar as reformas imaginadas na própria Democracia Corinthiana. É preciso trabalhar para se democratizar a instituição, para fazer com que inclua mais e mais fiéis, para construir no Corinthians uma referência de conquista plena da cidadania.

Nossa missão, desde 1910, FOI GERAR PROTAGONISMOS. A dupla Miguel e Salvatore planejava fazer do clube um centro de prática da luta cidadã. Por isso, o Corinthians é o time do povo, e deve ser feito pelo próprio povo, numa frase de Bataglia que repete um conceito do anarquista italiano Errico Malatesta.

De alguma forma, gerações e mais gerações de brasileiros e de imigrantes perceberam essa sacada espetacular dos fundadores. E é essa marca, impressa em nosso DNA, que explica o tamanho enorme de nossa torcida. É isso que explica tanta gente boa e decente cerrando fileiras conosco.

O Corinthians deve estar no mercado, sim, mas não deve ser jamais um clube destinado primordialmente a gerar negócios, como certa vez disse, de forma infeliz, o atual presidente.

NEGÓCIOS SERVEM COMO MEIOS E NÃO COMO FINS. A MISSÃO DO CORINTHIANS É GERAR PROTAGONISMO, GERAÇÕES SOLIDÁRIAS E SATISFAÇÃO PARA SEUS ADEPTOS. SOMOS UMA INSTITUIÇÃO DESTINADA A PRODUZIR RELAÇÕES COOPERATIVA E ALEGRIAS NO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.

Neste "futebol moderno" podemos, portanto, ser diferentes e estruturar projetos que destruam os paradigmas do "futebol da moeda".

Existe um terceiro futebol, confundido com o antigo, que é o "futebol informal", este maravilhoso, docemente infantil, com fantásticas vocações gregárias.

Ele é disputado nas mesas de futebol de botão, nos corredores das casas, nas vielas, na ruas, nos terrenos baldios, nas praias, onde for possível mover a bola ou algo parecido com ela.

Muitos de nós praticamos esse esporte de informalidade, saudável, espetacular, fonte de enormes satisfações. Montamos nossos times, pintamos nossas camisas, desenhamos a cancha no asfalto. Tudo para o grande match contra o time da rua de cima.

Nessas aventuras infantis e adolescentes, muitas vezes copiamos nossos ídolos. "Sou o Sócrates passando de calcanhar", dizia um. "Sou o Neto", dizia outro, queimando o joelho ao comemorar um gol no tapete da sala.

Este, sim, é o espírito do futebol, que deve ser preservado em todos nós, amantes desse esporte mágico e agregador. E é essa chama de amor que deve ser potencializada, cada vez que a moeda quiser assumir o controle do jogo.
 
Walter Falceta Jr.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

UNS PARADÍGMAS


O Corinthians é campeão de faturamento já há alguns anos.

Seu faturamento é exponencial, com uma curva de crescimento não vista em qualquer setor da economia.

O Corinthians é o clube mais rico do mundo, fora da Europa.

Ações recentes da diretoria do clube tem como consequência a exclusão da parcela Corinthiana com menos poder aquisitivo.

Torcer no estádio virou um jogo cada vez mais caro, e com cada vez mais poréns (cotas, pontuação de corte, prazos de adimplência, carência de planos, dia e hora corretos para efetuar as compras, instabilidade do sistema de compra de ingressos, e assim vai). A torcida e a emoção antecedem ao embate. Vencedor é que tem ingresso.

No entanto, é o "Time do Povo", o que mobiliza, que dá audiência, leitores, ouvintes, eco nas camadas sociais.

"No entanto", é o Time do Povo?

Há paradigmas que precisam, se não serem quebrados, compreendidos.

É possível ser um "clube rico" sem ser "clube de rico"? Tenho certeza que sim, mas não é do jeito que está sendo colocado hoje pela diretoria.

Primeiro que, na verdade, o Corinthians é rei, sim, em terra de cego. Fatura uma ninharia perto do que pode e deve. Perto dos outros é o que é, mas por uma série fatores em que acredito, o Corinthians pode multiplicar seu atual faturamento de oito reais por ano por torcedor. É ridículo! Estrangula poucos e ignora todo o resto, além da história e das tradições.

O antagonismo nesse caso não é ser rico, ter CT moderno, estádio idem, ser o melhor da américa, do mundo, mas querer ser a Daslu num mundo em que a Daslu real já foi até demolida...

"Do que estão reclamando?" perguntam alguns torcedores e adversários. "Vocês têm tudo o que sempre sonharam".

O sentimento é como de um Pai pobre que criou com sacrifício seu filho que, ao se formar e conseguir um bom emprego, dá as costas e passa a ter asco da pobreza dos Pais. O muleque não usa o que aprendeu para ajudar a reverter a vida de muitos, como foi a dele. Não, é ele agora que vai sustentar um sistema criador de dificuldades.

É difícil definir Corinthians. Mas é fácil saber o que ele não é.

Um clube rico, pode até ser que sim (e será, cada vez mais). Excludente jamais! A burocracia dessa bandeira que tem mais suor e sangue que remos e âncora está aprofundando uma dívida centenária com sua torcida.

Impeçamos a morte da árvore genealógica. Antes que a corrente quebre.

Por Guilherme Carneiro Pappi.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Corinthians do futuro é o Corinthians do povo

A Brigada Miguel Bataglia não se convenceu de que as mudanças anunciadas recentemente no Fiel Torcedor tenha sido um recuo da diretoria no processo de elitização do clube. As novas diretrizes apresentadas não mudam em nada o aumento dos preços e consequente exclusão das classes mais populares do estádio. Trata-se, na verdade, de uma possível maquiagem de números. Talvez o torcedor que optar pelo plano com anuidade de R$100 venha gastar ainda mais, já que, ante a estranha omissão do clube, ainda não se sabe quanto desconto será dado na compra dos respectivos ingressos.

Esta Brigada defende que a mobilização de todos os torcedores corinthianos não deve parar e programará manifestações constantes para denunciar o afastamento gradual das raízes ideológicas de fundação do Sport Club Corinthians Paulista promovido pela diretoria atual. Não se trata apenas de um protesto pontual contra o reajuste de preços; é uma definição do Corinthians que iremos deixar para as próximas gerações.

Brigada Miguel Bataglia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Em defesa do torcedor e do Paulistão


A Brigada Miguel Bataglia vem por meio desta carta aberta mostar toda a sua indignação com a Federação Paulista de Futebol (FPF) pela mudança de horário da partida entre Corinthians_x_Ponte Preta que se dará no dia 23 deste mês.

A FPF, como instituição responsável pela organização do Campeonato Paulista, deveria primar e dar valor ao seu campeonato. Pelo contrário, só faz desvalorizar o torneio que um dia já foi o mais importante do país. Colocamos sim a culpa na FPF pelo desinteresse cada vez mais crescente da grande mídia, do público e até mesmo dos clubes grandes por esse campeonato, tanto pelo descaso acima abordado quanto por outras medidas como o valor mínimo do ingresso a R$40 estabelecido em regulamento.

Vale destacar, ainda, que tal partida seria o reencontro da torcida do Corinthians com o time que conquistou o Campeonato Mundial no Japão e elevou o nome do Corinthians e do futebol paulista a patamares estrondosos. A contenda estava marcada para as 22h, o que, a despeito de ser um horário péssimo (tendo em vista as restrições do tranporte público), ainda assim conservaria alguma viabilidade ao torcedor de acompanhar seu time após a labuta. Assim, o horário das 17h é, no mínimo, VERGONHOSO, já que a maioria das pessoas trabalha nesse período.

A Brigada Miguel Bataglia CONVOCA a diretoria do Sport Club Corinthians Paulista a solicitar junto à Federação Paulista de Futebol a realização do jogo às 22h, ou ainda, a mudança das 17h para as 20h30m. Reforçamos que os ingressos estavam sendo vendidos desde o dia 13/12/12, com a data e hora do jogo previamente definidas. A pergunta que fica: e o torcedor que não poderá comparecer após essa alteração? A resposta fria e objetiva é a devolução do dinheiro, numa relação meramente mercadológica. Mas a coisa toda envolve PAIXÃO!! O Torcedor Corinthiano que ver o Corinthians em Campo, não seu dinheiro de volta.

Finalmente, lamentamos a ausência de um artigo que determime a "proibição de alteração do horário do jogo após inicio das vendas de ingressos" no Estatuto do Torcedor, o que nos dá mais certeza de que ele foi feito para todos, menos para nós. Também manifestamos cobrança ao Ministério Público de São Paulo, que sempre se mostra atuante em confrontos de torcida, mas que se omite em fatos nos quais o torcedor é notoriamente prejudicado.

Brigada Miguel Bataglia

sábado, 15 de dezembro de 2012

Tia Geni, Tião e o CORINTHIANS


Tia Geni, Tião e o Corinthians!

“Porque há sempre uma loucura no amor” (Friedrich Nietzsche)

Nem de longe o assunto aqui será falar de futebol. Quero ousar falar do amor, de loucura e de utopia. Essa combinação de sentimentos caminha cambaleante sobre uma linha estreita, que divide opostos capazes de mudar completamente o rumo das coisas, basta um desiquilíbrio para um lado ou outro e estamos
 de mãos atadas diante do perplexo, do inesperado, do até então inimaginável.
Quer coisa mais inimaginável que a Tia Geni, bandeira histórica dos Gaviões da Fiel, sair da Zona Leste e ir parar no Japão, como se a terra do sol nascente fosse ali, em qualquer estádio do interior paulista. E porque não? O que tem de especial lá no Oriente que não tenha também ali em Sorocaba ou em Jundiaí? Tia Geni é representante legítima de toda essa gente, de todo esse povo que acredita mesmo quando aparentemente não há motivos para esperança.
Opa, mas essa gente preta e branca é capaz de criar, de transformar e principalmente de não se adequar a nada. Esse povo é louco, faz protestante acreditar em santo, faz ateu erguer as mão para o céu e pedir com fé. Se dizem que a voz do povo é a voz de Deus, estão mais do que certos em reivindicar mesmo que de forma indireta que a palavra do todo poderoso é também o próprio grito, afinal de contas, esse povo é maioria.
Inacreditável também é o Corinthians campeão do mundo (de novo). Não estou falando de futebol, minha gente... Estou falando do Tião, porteiro de prédio de luxo no Higienópolis, morador lá de Itaquera que encara quase quatro horas de busão por dia, para bater seu cartão, que gruda a orelha no radinho mesmo em serviço. Afinal de contas, essa gente é que faz um passe certo, que defende um chute certeiro, que chuta a bola pro gol. Não é o Corinthians que ganha ou perde, é todo esse povo que ampara no Corinthians raros momentos de felicidade, que por instantes esquece das dificuldades da vida, das dores, sofrimentos; que sorri e chora numa só expressão.
Esse time é de fato o time do povo, o time de todos os povos. O time do preto e do branco e que não exclui jamais. Já disse o poeta “Corinthians do beco da favela e da mansão! Corinthians da menina, da mulher do operário e do patrão!” É o Corinthians! Aquele mesmo que até poucos dias zombavam ser o seu passaporte um bilhete de metrô. E no fim das contas, jamais deixará de ser, somos o time que nasceu sob a luz de um lampião e nas mãos de operários que ousaram criar, transformar, mudar as coisas.
O Corinthians é a manifestação da resistência, seja do futebol praticado apenas pela elite no começo do século XX que de repente tem em seu meio o time preto e branco formado por trabalhadores. Seja pra falar ao mundo que o Brasil quer votar para presidente e não aguenta mais a calhordice da ditadura militar, seja para ganhar a América quando muitos diziam que isso seria impossível...
Pela Tia Geni que está lá no Japão... 


E pelo Tião que estará de serviço nessa manhã de domingo! 





Jogai por nós Corinthians!
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Por que Marin NÃO pode ser chefe da delegação Corinthiana no Japão?



A delegação Corinthiana que vai ao Japão disputar o Mundial de Clubes deve ser chefiada por alguém que represente nossa conduta, tradições e anseios. O indicado Marin, em nada se aproxima desse perfil. Muito pelo contrário.

Marin simboliza um passado que queremos ver sepulto não só no futebol, mas na política sobretudo. Nos anos em que nasciam os Gaviões da Fiel “Contra todo ditador que no Timão quiser mandar!”, o deputado Marin fazia dupla com Wadih Welu na Câmara dos Deputados pela ARENA, partido de sustentação política de um governo militar assassino.

Em um discurso em 09/10/1975, essa mesma dupla bandida cobrou explicitamente ações contra a TV Cultura (Canal 2 à época) e, duas semanas depois, o diretor de Jornalismo da emissora, o jornalista Vladmir Herzog, foi convocado pelos agentes do Exército para “prestar depoimento” em uma sessão de tortura. No dia seguinte, Herzog estava morto, enforcado, em mais uma manipulação do regime para simular suicídio. A íntegra do discurso encontra-se preservada aqui: http://download.uol.com.br/esporte/diario2.pdf . Wadih Welu, à época, era presidente ditador do Corinthians e seria derrubado anos mais tarde.

Marin foi governador do Estado de São Paulo indicado pelo regime militar, num momento em que atletas Corinthianos, liderados por Sócrates, faziam a campanha pelas “Diretas Já” e praticavam a administração participativa no clube sob a Democracia Corinthiana.

Marin foi atleta do rival bambi do jardim Leonor, de onde é torcedor e conselheiro. Faz parte de um clube que dedica sua existência à deturpação de nossos valores e a criar preconceitos com nossa identidade popular, multirracial e de várias religiões, muitas vezes pela imprensa.

No início desse 2012, o mesmo Marin roubou a medalha de um atleta do Sport Club Corinthians Paulista, medalha esta que deveria ser entregue ao atleta campeão. Ao invés disso, Marin, beirando seus 80 anos, surrupiou a medalha para seu bolso.

Não podemos aceitar que, depois de tanta luta pela democratização do País, pelo resgate e preservação de nosso legado, uma figura que representa um trajeto oposto a nossa história venha a ser premiada chefiando nossa delegação perante os Corinthianos residentes aqui e em outros países.

Marin NÃO! Antis NÃO!

Por reivindicar um Corinthiano (com C maiúsculo e th) na chefia de nossa delegação, este coletivo de torcedores exige, em decisão que passou pelos devidos processos democráticos de votação, o ex-jogador Wladimir como o verdadeiro merecedor dessa honraria, por tudo que fez pelo esporte, pelo país e pelo Corinthians.

Brigada Miguel Bataglia